Varal de Lingüiça


O Sr. Ivo Coimbra, quando chegou a Barra de São Francisco ES, a vila era um pequeno povoado, (Povoado de São Sebastião). Havia cinco ou seis casinhas, tudo era novo. Chegavam pessoas de várias regiões do ES e Minas Gerais, que refugiavam no interior, evitando serem mandadas para a guerra. O “Brasil precisava de homens para lutar na temida guerra, a segunda grande guerramundial, início dos anos 40”.
Sr Ivo, logo que chegou, montou um pequeno comércio, pois brotava gente, todos os dias e de vários locais, formando um povoado. Mas, além do comércio, comprou também, um terreninho do outro lado, às margens do riacho, onde já havia outros moradores.
Como todo povoado nascia às margens de um pequeno ou grande rio, assim surgia a vila. Uma casinha ali, outra do outro lado e... menos de um ano, o povoado, que hoje é Barra de São Francisco, já estava formado. 
Chegou o momento que Sr. Ivo precisou ampliar seus negócios, tendo que fazer um roçado, ali bem perto do seu comércio – a padaria onde vendia de tudo − hoje, atual Rosane Hotel, na Avenida Jones dos Santos Neves.
Pensou, planejou e começou a roçar o local. Ele ficou apavorado, porque, no local, havia tanta cobra... mas tanta cobra... que ele resolveu fazer a matança. Ele matou uma, duas, três e foi matando cobra e não parava mais, era cobra aqui, cobra ali. Tomou, então, a iniciativa de matar cobra e pendurar num varal que havia perto da padaria, do outro lado da rua para elas secarem e não ficar ao relento e seus espinhos causarem acidente nos habitantes da pequena e unida população; Só que o Varal de Cobras, ficou igual a Varal de Lingüiça das cozinhas de fazendas de Minas Gerais.
No dia seguinte, bem cedinho, chega o Padre Elauro Zacarias na padaria do Sr Ivo e diz com voz firme:
− Padeiro, me dá vinte e cinco pães e quatro quilos daquela lingüiça do varal.

Edivaldo Machado Lima
Barra de São Francisco/ES

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