Se hoje o Real Noroeste, da
vizinha Águia Branca é "o time profissional" do noroeste do Espírito
Santo, estando próximo de disputar a final do Capixabão, há 20 anos, o Santos
de Barra de São Francisco, fazia sua última participação no futebol
profissional, pela segunda divisão. Conhecido como "O Terror do
Norte", o Peixe francisquense foi fundado em 1964 e chegou a disputar a
Primeira Divisão do Capixaba por várias vezes, mas nunca obteve resultados além
da satisfação de lotar o estádio Joaquim Alves de Souza e formar grandes
atletas, como Gilson Japonês, que jogou pela Desportiva Ferroviária nos anos
80, Paulo Roberto Araújo, o Paulo Pogito e Paulinho Caipora, entre tantos outros.
A estreia na Primeira Divisão ocorreu em casa diante da Desportiva Ferroviária,
em 19 de julho de 1970, quando acabou derrotado por 2 x 0. Mas a primeira
vitória veio já na partida seguinte: 3 x 0 sobre o Industrial de Linhares.
Depois de alguns anos afastado da Série A o Santos retornou em 1977, já sob o
comando do hoje deputado estadual Enivaldo dos Anjos (veja entrevista). O
retorno aconteceu em Barra de São Francisco contra o Vitória, sendo que o time
francisquense foi derrotado por 1 x 0. Foi um dos melhores times já formados
pelo Santos. Enivaldo dos Anjos trouxe o técnico Manoel Ivo e boa parte do elenco do Santo Antônio, da capital,
para jogar no clube. "Foi uma época boa para o esporte francisquense. O
estádio estava sempre lotado aos domingos e nós tínhamos a oportunidade de
jogar ao lado ou contra grandes jogadores, como o Pogito e o Dower",
comenta Paulinho Caipora. Mesmo com um time de alto nível, formado por
"boleiros" vindos de fora e atletas prata da casa, o Santos terminou
a competição em 10º lugar entre 14 equipes. O Peixe francisquense voltaria a
jogar a Série A do Capixabão em 1979 e 1992, mas novamente o time não obteve
bons resultados. A última participação no futebol profissional foi em 1998,
quando o Terror do Norte disputou a Segunda Divisão e, por um ponto, não se
classificou para a Primeira Divisão.
Pogito, Dower e Castor nunca mais saíram de São Francisco
Dos bons tempos do Santos
profissional, no final da década de 70, ficaram muitas lembranças e alguns
"boleiros" que vieram para cá, a convite do técnico Manoel Ivo e do
presidente do clube na época , E n i v a l d o d o s A
n j o s . U m dos primeiros a chegar foi o c r a q u e P o g i t o , jogador
do
meio campo, formado no Botafogo do Rio de Janeiro. Depois de uma passagem pelo
futebol amazonense, Pogito chegou a jogar pelo Santo Antônio, numa
"seleção" formada pelo técnico Manoel Ivo. "Foi depois desse
jogo que o Manoel Ivo me convidou para vir jogar no Santos. Na época já tinha
muitos jogadores contratados de fora, principalmente do Santo Antônio como o
goleiro Jorge Luíz, entre outros", relembra Pogito. Outro atleta que ficou
por aqui foi o irmão dele, o zagueiro Dower, que também jogou no Rio de
Janeiro, pelo Fluminense e outros clubes. "Quando eu cheguei meu irmão já
estava aqui e havia muitos outros jogadores. Como eu já tinha uma certa idade,
decidi ficar por aqui, com minha família. Trabalhei hospital por mais de 40
anos e hoje estou aposentado. Outro que permaneceu na cidade foi o ponta
direita Antônio Carlos Castor, que veio de Belo Horizonte para fazer um teste
no Terror do Norte. Castor acabou se c a s a n d o c o m a filha da dona da p e
n s ã o o n d e o s "boleiros" ficavam hospedados. A Pensão do Seu
Luiz, na avenida Jones dos Santos Neves, em frente à rua Eliseu Divino era o
"point" dos atletas. "Eu cheguei para jogar na ponta direita e
fui ficando, me casei com a Edilamar e, depois acabei me formando árbitro, com
apoio do Enivaldo e fiquei por aqui. Hoje tenho meu serviço de táxi e não penso
em ir embora da cidade que me acolheu tão bem", afirma Castor. Além dos
três atletas, m a i s u m jogador da é poca , Paulinho Alegre, permaneceu em
Barra de São Francisco, mas a reportagem do NC/ES1 não conseguiu localizá-lo.
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