Eis o prisma espiritual
desses dias: Refundar o nosso ser em
Cristo. Para isso é importante uma melhor compreensão de seus passos.
Tríduo Pascal
O Tríduo Pascal é
desenvolvido em três cenários que se interligam e se integram: o Cenáculo, o
Calvário e o túmulo. Por isso, é preciso acompanhar e vivenciar o todo sem
ficar pelo caminho. O prisma aqui é litúrgico-espiritual.
O primeiro cenário é o
Cenáculo: a Eucaristia, o pão e o
lava-pés. É a quinta-feira Santa! Aí Jesus celebra com seus discípulos a Páscoa Judaica, a memória da saída do
Egito, e dá o horizonte de sua entrega na cruz. Assim como Jesus, nós renovamos
nosso compromisso de sermos pão partilhado, de sermos promotores de uma
sociedade da partilha e doação. De nos fazermos Eucaristia ao nos desgastarmos
nas lutas diárias pelos que não têm a dignidade do pão. De modo particular, a
narrativa de João traz o lava pés após o momento da ceia. A partilha
eucarística não pode se despreender do Serviço humilde aos irmãos.
O
segundo cenário é o Calvário: a cruz, o despojamento, a
oblatividade e a morte. Apesar de a espiritualidade popular nos possibilitar
várias outras experiência nesse dia (vias sacras, procissões, encenações,
etc.), o ponto litúrgico central da sexta-feira é a celebração das 15 horas.
Ela, em sua sobriedade e despojamento, nos revela toda a compaixão de Jesus
pelo povo e as conseqüências do anúncio do Reino do Deus da vida e da denúncia
dos ídolos de morte.
Por
fim, o último cenário é o túmulo: a vigília, a noite, a luz que rompe
as trevas, a memória, a passagem pela água, o aleluia.
A vigília é a esperançosa
celebração da palavra última do Deus da vida, em que a luz de Cristo
ressuscitado rompe as trevas da morte. “Eis a luz de Cristo!”. As leituras
fazem memória da aliança de Deus com seu povo. Ele sempre esteve aí presente e
sempre mostrou que é capaz de reerguer, romper as escravidões e sustentar seus
povo no caminho para a vida.
A vigília pascal tem como ponto
fundamental nos levar, de novo, a nossa pia batismal e nos mergulhar novamente
em nossos compromissos com as lutas de vida de nosso povo, como fez Jesus. Nela
podemos refontalizar nosso projeto de vida e adesão ao Reinado de Deus.
Que, ao passarmos por esses
cenários, possamos nos fazer participantes da experiência pascal.
A nossa fé nos diz, apesar dos
desafios da frieza ritual, que todo esse caminho celebrativo é vivo.
É vida! É passagem: Páscoa! Que a
nossa grande alegria seja o encontro com o Senhor Ressuscitado na manhã de
domingo.
Que a nossa vida, escondida nesse
mistério, possa novamente experimentar o sabor e beleza da compaixão, entrega e
doação de Jesus.
Não deixemos que nos roubem a
alegria pascal! Ela é nossa e não do mercado consumidor e seus bombons! Amém!
Texto, Irmã Selma Casagrande
Paröquia Säo Francisco de Assis


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